Conheça a cloroquina, medicamento em teste contra a COVID-19

As comunidades médica e farmacêutica se viram diante de um enorme desafio em 2020: a pandemia do novo coronavírus ou COVID-19 (ou ainda SARS-Cov-2). O vírus colocou o mundo todo diante da fragilidade do nosso metabolismo em relação a microrganismos que estão em constante mutação, com impactos devastadores no funcionamento do mesmo. A corrida agora é para encontrar tratamentos e soluções. Um medicamento e seus derivados têm se destacado.

Desde o avanço da pandemia do novo coronavírus, no ínicio do ano, com sintomas similares aos de uma pneumonia, equipes de cientistas e pesquisadores estão dedicadas exclusivamente ao redor do mundo à procura por medicamentos e manipulações que possam mitigar ou até mesmo evitar o impacto da COVID-19 no corpo humano, em níveis seguros e eficazes. Dentre esses medicamentos, a cloroquina, especialmente, tem chamado a atenção de especialistas e da opinião pública.

O que é a cloroquina e sua origem

A cloroquina é um medicamento conhecido por sua propriedade antimalárica, também sendo utilizada no tratamento de doenças autoimunes, como artrite reumatóide e lúpus eritematoso.

O medicamento foi descoberto em 1934 por Hans Andersag e pertence à classe 4-aminoquinolinas.

A cloroquina possui outros derivados e similares, como a hidroxicloroquina, que tem os mesmos efeitos da cloroquina, porém com menor potencial tóxico; e a quinina, composto natural encontrado na árvore da Cinchona, que deu origem ao composto.

A descoberta das propriedades medicinais da Cinchona, mais precisamente da sua casca, remonta ao período colonial na América Latina. Com o advento da malária, supostamente trazida pelos europeus ao continente americano, ela foi decisiva no combate à doença que matou entre 150 e 300 milhões de pessoas nos últimos 100 anos. Não se sabe ao certo se sua propriedade antimalárica foi descoberta por indígenas ou espanhóis, havendo lendas nos dois lados. A indígena conta que, ao observarem pumas doentes morderem a casca da Cinchona e se recuperarem em seguida, deram-se conta de suas propriedades. Já a espanhola conta que um soldado com malária, deixado para morrer na floresta, dirigiu-se à uma poça de águas turvas nas raízes de uma árvore e adormeceu, acordando sem sintomas da doença

Mais propriedades da casca da Cinchona e seus derivados: combate à câimbras; combate a disfunções cardíacas como taquicardia; desintoxicação do fígado; antisséptica e antiinflamatória.

Pesquisas, cloroquina e COVID-19

Duas pesquisas recentes apontam a cloroquina como um promissor medicamento no combate ao novo coronavírus.

A primeira foi realizada em 18 de março deste ano na China, mais precisamente na cidade de Wuhan, primeiro epicentro da pandemia, onde foram realizados testes in vitro. O resultado animou bastante pesquisadores, com publicação na revista científica Nature, onde incentivam o teste em humanos no combate ao vírus.

A segunda foi realizada pelo infectologista francês Didier Rauolt, do Instituto Mediterrâneo de Infecções de Marselha, onde pode-se observar que 75% dos pacientes tratados com hidroxicloroquina, tiveram melhora significativa ou foram curados totalmente, por vezes aplicada em conjunto com o antibiótico azitromicina. A pesquisa tem sofrido alguma críticas da comunidade científica pela realização em um grupo pequeno de pessoas, cerca de 26, o que ainda não assegura a sua aplicação em massa.

Atualmente o Food and Drugs Administration (FDA), nos EUA, estão realizando testes com a cloroquina no tratamento da COVID-19.

Como pesquisas desse porte demandam um prazo longo de tempo para o levantamento com precisão a eficácia do medicamento – em torno de 18 meses sugerem alguns especialistas -, é necessário que mais experimentos, complexos e mais elaborados, sejam realizados.

Mecanismo de ação da cloroquina

Os vírus, dentre outros microorganismos e diversas células do nosso corpo, se auto reproduzem através de replicação, antecedido de um processo chamado de “autofagia” (do grego, alimentar-se de si mesmo).

A autofagia consiste em “devorar” materiais e compostos desnecessários existentes dentro da célula, em uma espécie de reciclagem, para que ela possa gerar novas células idênticas, multiplicando assim o vírus dentro do organismo.

A cloroquina tem exatamente o papel de neutralizar o processo de autofagia, evitando que o vírus se reproduza. É importante frisar que a inibição total da autofagia, algo que se espera que a cloroquina faça, pode trazer algumas outras complicações, como neurodegeneração, já que a autofagia é realizada para eliminar proteínas tóxicas de células do cérebro.

Alguns estudos já mostram que a COVID-19 se reproduz através de autofagia, processo que já foi percebido tanto nos Sars (síndrome respiratória aguda grave) quanto em vírus Mars (síndrome respiratória do Oriente Médio).

Efeitos colaterais

Os efeitos colaterais do uso da cloroquina vão desde os mais amenos, como náuseas e vômitos, dores abdominais, dores de cabeça e diarreia, até arritmias e choques anafiláticos em uso continuado.

Os mais comuns são perda de apetite, problemas musculares, erupções cutâneas e diarreia.

Importante: evite a automedicação da cloroquina. Sempre procure orientação médica ao administrar o medicamento

Caso você sinta sintomas relacionados ao novo coronavírus, você pode encontrar aqui mais informações sobre como proceder, de acordo com o grau sintomático.

Inglesa Lapon

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